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“Tem alguém ansioso aqui?”

Com esta frase, a escritora convidada, Tati Bernardi, inicia a roda de conversa do Café Pauliceia na Associação dos Advogados de São Paulo (AASP).

A primeira edição do Café Pauliceia neste ano foi realizada na segunda, 27 de março. Acompanhada da típica garoa paulistana, que cai por volta das 19 h, a escritora Tati Bernardi, seu marido e a produtora chegaram à sede da Associação dos Advogados de São Paulo. Cerca de 20 pessoas aguardavam, entusiasmadas, pela autora, que num ritmo semelhante ao do livro iniciou a conversa com muito humor e uma pergunta: “Tem alguém ansioso aqui?”

Depois a louca sou eu, de Tati Bernardi, brinca com o leitor através de um texto leve (com muitas observações que revelam um turbilhão de pensamentos entre parênteses), mas que traz um tema complexo para o centro do debate – a ansiedade. Problema com o qual a escritora, roteirista, publicitária e blogueira lida desde a infância.

“Todo o mundo é um pouco ansioso.” Esta foi a resposta em consenso entre os leitores presentes no Café Pauliceia, que aproveitaram as duas horas de conversa para saber mais sobre a vida da autora e sua obra (entre boas risadas).

Há dez anos trabalhando na Rede Globo de Televisão como roteirista, Tati conta que um dos maiores desafios da carreira está sendo a adaptação do livro Depois a louca sou eu para o cinema. “A linguagem é muito dinâmica, passa por diversos ambientes e fases da minha vida. Transformar isso num filme não é fácil”, explicou. Lançado em 2016, pela Cia. das Letras, o livro ultrapassou as expectativas e ficou entre os quatro mais vendidos pela editora no ano.

Histórias

Blogueira desde os 18 anos. Publicitária por nove. Amante das letras e movida pelo desejo de contar histórias. Assim Tati Bernardi abriu um pouco da sua vida, descrevendo as crises de ansiedade, pânico, a intensa relação com os remédios (a obsessão hipocondríaca), as madrugadas de muito trabalho e as oscilações entre pressão alta e baixa. Tudo isso foi revelado em detalhes intensos em cada página (e durante a conversa). “O livro é exagerado para ter mais humor. Não tomava tantos remédios assim. Eu acho. Rsss. Ah, só quando sofria muito com fobia de avião”, brincou.

Consciente de que não quer voltar a usar remédios em exagero, Tati revela que em breve será lançado (ainda este ano) seu primeiro filme como roteirista principal (até então nas produções que participou, atuou como colaboradora na equipe). “A atriz principal será a Luana Piovani”, anuncia.

Por fim, indagada sobre como fez para melhorar suas crises de ansiedade, Tati descreve: “Terapia, humor, mais terapia, pilates, escrever e trabalhar com o que gosto, escrever é a minha principal terapia, guardar um lugar de intimidade (na escrita) e não me expor o tempo todo, além de estudar psicanálise (hoje entendo mais sobre minhas crises). Envelhecer também foi um grande remédio, e ter um cachorro”.

Textos

Uma das últimas perguntas foi sobre como é o processo criativo na hora de escrever. “Às vezes, quando começo, tenho tudo traçado e sei aonde quero chegar. Normalmente, passo dias pensando, elaborando o texto mentalmente, e em dez minutos escrevo. Mas, no geral, o texto sai da ponta dos dedos, simplesmente vem. Em Depois a louca sou eu, por exemplo, tinha tudo planejado um ano antes de escrever – enredo, estilo, foco”, finalizou com simpatia antes da sessão de selfies com os leitores.

Dica

A meta do momento para Tati Bernardi é ler mais. Hoje com uma média de um livro lido por mês, ela é firme em dizer que “isso é muito pouco”. E indica dois dos seus preferidos:

. O filho de mil homens, Valter Hugo Mãe.

. Retrato de um viciado quando jovem, Bill Clegg.

Fonte: Núcleo de Comunicação AASP

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