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MêS DA ADVOCACIA
Comunicação e Oratória foram destaque do Mês da Advocacia AASP
Painel refletiu sobre as principais técnicas de persuasão, hierarquia de argumentos e oralidade na atuação jurídica
A palestra sobre Comunicação e Oratória, realizada no Mês da Advocacia AASP no dia 26/8, abordou temas de grande importância sobre o papel da comunicação escrita, oral e corporal na Advocacia, as técnicas de persuasão e argumentação, e o uso da inteligência artificial (IA) na produção de conteúdo jurídico. O evento contou com a participação de Cláudia Trajano e Luís Flora, e a mediação da Conselheira Substituta da Associação Simone Augusta.
Cláudia abriu sua fala alertando que a comunicação costuma ser tratada como algo secundário na Advocacia, quando, na verdade, comunicar serve para convencer. Segundo a palestrante, em um contexto de uso intenso da IA, a comunicação diminui, logo as habilidades de escrita e oratória são afetadas em todos os âmbitos jurídicos. Por isso, ela cita a necessidade de maior reflexão e criticidade nesse sentido. Trajano apresentou o recurso âncora cognitiva, recomendando que o argumento mais forte seja utilizado logo na primeira oportunidade da sustentação oral, aproveitando a tendência humana de atração pelo que é impactado logo de início.
A palestrante explicou a lógica da persuasão a partir de três pilares essenciais: o Ethos, ligado à técnica, à energia, à postura e à escrita; o Pathos, capacidade de criar conexão com quem ouve; e o Logos, que conduz à construção de uma ideia lógica. Para Cláudia, “Quando o jurisdicionado procura uma Advogada ou um Advogado, busca conhecimento técnico-jurídico aliado a uma escrita e a uma postura que ele consiga compreender e que siga os três pilares”. Por esse motivo, ela alertou sobre o excesso de adjetivação e de informações desnecessárias em peças processuais, que podem gerar embates prejudiciais à comunicação.
Dando continuidade, Luís Flora destacou a importância de transformar o conhecimento jurídico com objetividade, de modo que a peça processual transmita segurança e confiabilidade. Ele afirma: “Para o jurisdicionado, a linguagem precisa ser fácil de entender para alcançar seus objetivos”. Para Flora, a comunicação e a oratória precisam ser claras e concisas, garantindo legibilidade tanto da fala quanto do texto. O palestrante ressaltou que a fala é sempre precedida pela escrita e que, mesmo em um processo totalmente digital, é preciso compreender a dor do cliente e transformar a narrativa dele em texto, com boa fundamentação – ainda que o tempo e a agilidade exigidos pelas questões jurídicas atuais sejam outros.
Ele recordou a frase atribuída ao Ex-Presidente da Associação Antonio Cláudio Mariz de Oliveira: “O Advogado é a voz daquele que não tem voz”. Para Flora, a Advocacia exige dessa sensibilidade na oratória e na comunicação, com atenção ainda mais às nuances e aos sentimentos humanos, avaliando perspectivas e cargas emocionais. Ele reforçou que tanto na escrita quanto na oralidade o Advogado é o emissor de todo o processo e que conhecer seu próprio tipo de linguagem é o que permite transportar o interlocutor para o cenário apresentado.
Por fim, a mediadora do evento, Simone Augusta, destacou a importância da comunicação não violenta e da força argumentativa apresentadas na palestra. Ela ainda abordou o Pacto Nacional pela Linguagem Simples, tema que foi trazido por Cláudia sobre a objetividade e a simplicidade na comunicação jurídica.
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