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MêS DA ADVOCACIA
AASP Promove Debate sobre IA para o exercício da Advocacia
Evento explora como as novas tecnologias estão transformando a rotina jurídica
Como parte das celebrações do Mês da Advocacia e focada em promover a inovação, a AASP realizou, na terça-feira (25/8), o debate “IA para Advogados”, com participação de Raíssa Varrasquim, Flávio Fujita e o Conselheiro Substituto Filipe Magliarelli, que fez a mediação do debate. O encontro trouxe reflexões fundamentais sobre como a tecnologia está transformando a prática jurídica e modernizando o exercício da profissão.
Flávio Fujita iniciou o debate explicando que a estrutura da IA funciona como uma “calculadora de força bruta” baseada em estatísticas. Ele pontuou que, embora a ferramenta domine a forma, gerando textos bem estruturados e com o tom adequado, ela pode “errar com convicção”, pois, ao prever a sequência mais provável de palavras, nunca deixa uma pergunta sem resposta.
Sobre o uso prático, Flávio destacou: “nós atuamos como supervisores, como um colega que ensina a IA a executar tarefas…”. Ele também diferenciou o chat, uma conversa isolada que exige nova alimentação de dados a cada interação, do agente, que acessa documentos, mantém a memória entre sessões e pode atuar como um especialista. Por fim, apresentou exemplos práticos e ressaltou a importância da proteção de dados, além de explicar como “treinar” a ferramenta para que ela seja aprimorada e personalizada.
Na sequência, Raíssa Varrasquim alertou para o uso inadequado da IA e as sanções jurídicas que tanto a Advocacia quanto clientes podem enfrentar. Ela destacou a responsabilidade necessária no uso dessa ferramenta e mencionou as diretrizes da CFOAB, que envolvem a análise da legislação vigente, a proteção à privacidade e à confidencialidade, as boas práticas, o aviso prévio ao cliente do uso e a revisão constante.
“Nós somos os pilotos, a IA será sempre o copiloto”, pontuou Raíssa, reforçando que a ferramenta não substitui o olhar do profissional. Ela ressaltou que o sistema sempre gerará uma resposta, mesmo que falsa ou imprecisa, simulando total convicção, o que exige cautela na escolha dos softwares.
Para concluir, Raíssa compartilhou as seguintes diretrizes práticas:
• Conferir minuciosamente todas as citações em fontes oficiais antes de qualquer protocolo.
• Evitar o upload de informações e dados de clientes em ferramentas sem contrato de tratamento que proíba o uso dos dados para treinamento.
• Formalizar por escrito o uso da IA com o cliente, em conformidade com a Recomendação CFOAB nº 001/2024.
• Estabelecer uma política interna clara e treinar a equipe, sob a liderança e responsabilidade de sócios e gestores.
• Documentar todo o processo de revisão humana, elemento crucial para diferenciar um erro aceitável de uma negligência grave se houver algum equívoco.
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