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Saúde mental: uma discussão necessária
No Mês da Mulher AASP, profissionais argumentam por que a prevenção ao sofrimento psicológico precisa estar em pauta no cotidiano de todos.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que quase 1 bilhão de pessoas apresentam algum tipo de transtorno mental. Seja por medo ou mesmo falta de informação, 70% dos indivíduos não procuram ajuda, o que é um dado alarmante, visto que, segundo a OMS, 50% da população brasileira poderá vir a apresentar pelo menos um episódio de angústia mental ao longo da vida.
Essa realidade foi colocada em evidência com o avanço da pandemia da Covid-19, desafiando o Poder Público e a gestão de empresas no auxílio aos seus colaboradores.
Precisamos falar de saúde mental
Na manhã desta segunda-feira (15/3), a AASP realizou o webinar “Cuidados com a saúde mental”. Participaram do bate-papo a coach, mentora, especialista em soft skills e consultora Claudia Lisboa; Maria Elisa Moreira, especialista em psicologia organizacional e do trabalho; e Luciana Pereira de Souza, mestre em Direito do Trabalho pela PUC-SP e conselheira da AASP.
“Embora o tema não esteja inserido diretamente no âmbito jurídico, dados crescentes de patologias associados ao tema indicam que os cuidados com a saúde mental é uma discussão necessária, principalmente para o dia a dia da mulher”, diz Luciana Pereira em sua fala inicial.
Cuidados com a saúde delas
Já parou para pensar nas suas emoções? Alguma vez refletiu se os seus sentimentos estão em harmonia? A psicóloga Maria Elisa Moreira cita pesquisas e estudos que traduzem como a mulher está exposta a ambientes os quais classifica como “mais desafiadores”, potencializados nos últimos dois anos.
Um desses estudos, realizado pelo Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da USP, mostrou que, durante a pandemia da Covid-19, as mulheres foram as mais afetadas psicologicamente, apresentando 40,5% de sintomas de depressão, 34,9% de ansiedade e 37,3% de estresse.
Moreira defende que precisamos adotar um olhar preventivo além da perspectiva biológica e considerar fatores diversos caracterizados pelas condições de gênero, que sobrecarregam e impactam a saúde mental da mulher.
“A OMS considera que consequências negativas podem estar associadas a violências domésticas e reprodutivas, desvantagem socioeconômica, padrão de estética, entre outros indicadores”, diz a especialista ao lembrar que os desafios são ainda maiores para as mulheres negras e periféricas, submetidas a outras formas de discriminação.
Em sintonia com as suas dimensões
Sob a perspectiva de que prevenir é melhor do que remediar, a coach Claudia Lisboa detalhou uma técnica autoral sobre autoconhecimento denominada “sintonia com as suas dimensões”, que foca em fator preventivo para desenvolver a resiliência mediante as adversidades, menos confrontos com outras pessoas, diminuição do estresse, decisões de alta qualidade e mais saúde física e mental.
“Eu penso que sempre há espaço para ampliarmos nosso autoconhecimento, pois estamos em constante mudança, e isso acontece mesmo que não queiramos, pois o fluxo dos acontecimentos externos acaba por fazer com que mudemos nossa perspectiva das coisas, pessoas e consequentemente de nós mesmos”, destaca Lisboa enquanto detalha o método em quatro pilares: Dimensão Física, Dimensão Intelectual, Dimensão Emocional e Dimensão Espiritual.
O papel do gestor na saúde mental da equipe
Diante da inevitável popularização do trabalho remoto, a grande maioria de trabalhadores passou a misturar vida pessoal e profissional em jornadas extensas. A casa deixou de ser apenas o refúgio de descanso e convivência familiar. É um modelo que traz benefícios, mas também efeitos colaterais, especialmente sobre o estado emocional dos colaboradores. Maria Elisa explica que muitos têm vergonha de falar ou trocar informações sobre os momentos que se sentem frágeis.
Como os gestores podem exercer uma liderança mais humanizada e participativa? Com perceber isso?
“Pergunte-se o quanto você, líder, se antecipa e cria um ambiente mais gentil e empático. Traga palestras, inclua em sua organização a cultura de falar sobre saúde mental; na Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (Cipa), ofereça ajuda de forma fluida. Pessoas precisam trabalhar no sentido educacional e incentivar a cultura de diálogo e do tratamento mais próximo”.
Para conferir como foi esse relevante debate e o que fazer quando alguém pede ajuda, clique aqui.
O Mês da Mulher AASP continua!
A programação do Mês da Mulher AASP prossegue nos próximos dias, e as inscrições poderão ser feitas gratuitamente acessando o site: mesdamulher.aasp.org.br. E, como tudo o que é bom vale a pena ser visto novamente, todos os painéis da grade estarão em breve disponíveis no YouTube da AASP. Clique aqui e inscreva-se no canal.
Importante: Não deixe que a angústia emocional chegue ao seu limite. Em caso de necessidade extrema, procure ajuda especializada, como o Centro de Valorização da Vida (CVV) e os Centros de Atenção Psicossocial (Caps) da sua cidade. O CVV (https://www.cvv.org.br/) funciona 24 horas por dia (inclusive aos feriados) pelo telefone 188 e também atende por e-mail, chat e pessoalmente. São mais de 120 postos de atendimento em todo o Brasil.
Fonte: Núcleo de Comunicação AASP.