Notícias
NOTíCIAS
Representatividade feminina no futebol é tema de discussão na AASP
Apesar do crescimento e do progresso do futebol feminino no Brasil, mulheres ainda buscam consolidar profissionalização da categoria e ampliação de direitos.
Na noite desta quinta-feira (10/3), a AASP realizou o webinar “A atuação das mulheres no futebol”. Participaram da discussão: Cristiane Gambaré, diretora de futebol feminino do Sport Club Corinthians Paulista (SCCP), Stephanie Figer, empresária de futebol, Thais Picarte, coordenadora de futebol feminino da Federação Paulista de Futebol (FPF), e Raquel Lima, presidente do Instituto Brasileiro de Direito Desportivo (IBDD).
Primeira mulher a presidir o IBDD em duas décadas, a advogada Raquel Lima abriu os trabalhos ao destacar o crescimento do futebol feminino no Brasil em diferentes aspectos, mencionando o tratamento e a seriedade que clubes, entidades e federações vêm concedendo ao profissionalizar seus departamentos.
Avanços passam por visibilidade
Com passagens pelos quatro grandes clubes paulistas e exterior, a ex-goleira Thais Picarte atualmente coordena o futebol feminino da FPF e tem o propósito de ajudar cada vez mais na evolução da categoria.
Picarte relembrou, em sua exposição, os desafios enfrentados e como se preparou para esse momento. “Preparei-me para ajudar outras meninas e mulheres a não passarem pelo que eu passei. O foco hoje é profissionalizar cada vez mais a modalidade, aumentar o nível dos campeonatos, dar oportunidades para que meninas jovens possam se preparar para suas carreiras. Isso passa também pela ampliação das competições”, afirma.
Aspecto fundamental destacado pela coordenadora para o sucesso do planejamento é a visibilidade e ampliação da cobertura pelos veículos de imprensa e redes de transmissão. “A Copa do Mundo feminina de 2019 mais do que dobrou audiência em relação à edição anterior e bateu recorde no Brasil. Precisamos surfar nessa onda com torneios cada vez mais atrativos”, enfatizou.
A mulher forte por trás do futebol feminino do Corinthians
Uma das grandes responsáveis por elevar o nível do time feminino do Corinthians, Cristiane Gambaré, diretora de futebol feminino do clube alvinegro, trouxe à mesa-redonda um pouco do case de sucesso e bastidores de como as coisas aconteceram. Com boa parte da vida voltada ao futebol, Cristiane costuma dizer que nasceu para o esporte como um todo – aos nove anos, já era federada no basquete.
“Estamos fazendo o trabalho que nos foi proposto e estamos entregando um pouco a mais do que nos pediram”, diz. Para Gambaré, o que fez com que o Corinthians atingisse um nível diferenciado de outros times femininos foi enxergar a profissionalização da modalidade muito antes de outras agremiações, algo benéfico para o clube e obviamente sua carreira como gestora.
A partir de um planejamento estruturado entre diretoria, departamento de futebol e investidores, o Corinthians profissionalizou todas as suas atletas do futebol feminino, dando a elas os direitos da CLT.
“Hoje, as meninas são profissionais, têm sua carteira assinada. Fazemos questão de lembrá-las dos seus direitos para que se sintam seres humanos e produtos. Costumo brincar com as atletas: “Bom treino não, bom trabalho”, pois elas estão indo trabalhar como qualquer outra mulher”, conclui.
O Corinthians Feminino é atualmente uma das instituições mais vitoriosas e importantes da categoria não apenas na América Latina, como no mundo. Desde 2016, “as Brabas”, como são chamadas, conquistaram 11 títulos.
Empresária da bola
Neta de Juan Figer e filha de Marcel Figer, dois dos empresários de futebol mais influentes da América Latina, Stephanie escreveu sua própria história no futebol ao focar sua atuação nas categorias de base. Sem torcer para um clube assumidamente, Figer costuma dizer que torce pelo sucesso dos negócios fora das quatro linhas e enxerga na categoria feminina um desafio promissor para gerir.
Figer explica, em sua fala, que o ramo empresarial do futebol não deve focar apenas na intermediação entre atletas e clubes, mas também oferecer o suporte necessário aos atletas e suas famílias, antes e depois da assinatura do contrato.
“Com certeza devemos dedicar mais tempo para gerir a carreira de grandes atletas femininas, principalmente depois do sucesso que foi a Copa do Mundo na França de 2019. Não tenho dúvida de que em poucos anos veremos muitas jogadoras com suas carreiras amparadas por grandes agentes”, diz.
Figer ressalta que pretende usar a experiência com os jogadores para ajudar as atletas do feminino a evitar problemas relacionados à regulamentação da profissão e para estruturar um plano de carreira sólido que privilegie não apenas o trabalho, mas a vida pessoal das mulheres.
“Não precisamos necessariamente firmar contratos mais longos para mulheres, mas entender que ela pode desfrutar de sua licença legal caso deseje pausar a carreira para engravidar, por exemplo. Qual é o problema? O contrato pode ser congelado nesse período, assim como em casos de lesão. Porque não podemos firmar parcerias para deixar menos custoso congelar óvulos para o futuro? São coisas que precisam entrar na pauta de todos os envolvidos da categoria”, concluiu.
Para conferir como foi esse relevante debate, clique aqui.
O Mês da Mulher AASP continua!
A programação do Mês da Mulher AASP prossegue nos próximos dias, e as inscrições poderão ser feitas gratuitamente acessando o site: mesdamulher.aasp.org.br. E como tudo o que é bom vale a pena ser visto novamente, todos os painéis da grade estarão em breve disponíveis no YouTube da AASP. Clique aqui e inscreva-se no canal.
Fonte: Núcleo de Comunicação AASP.
