Em Pauta

A tecnologia está reescrevendo o mundo, e os advogados precisam dar sentido a isso!

07 Nov, 2019 17:10
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Por Victor Scarpa de Albuquerque Maranhão

In short, software is eating the world”[1]. Foi assim que Marc Andreessen descreveu o que vem acontecendo no mundo.

E o que nós, advogados, temos a ver com isso? O Direito é o que dá forma e funcionamento à realidade.

Muito se fala no uso de tecnologia na prática, mas a questão mais importante talvez seja: Qual será o futuro da educação jurídica, e como formar profissionais para essa realidade?

Profissionais do Direito têm influência direta na relação da sociedade com o Estado e acesso à justiça, e o ensino jurídico é, então, um “negócio” de gerenciamento de talentos que precisa atender às novas necessidades vividas.

Para escolas de Direito, o objetivo deveria estar claro – lançar alunos no mercado que estejam prontos para atender aos seus “clientes”: cidadãos em suas relações sociais e contratuais e qualquer tipo de organização ou ente com necessidades legais.

As pessoas procuram o “Direito” em busca de suporte às suas decisões mais fundamentais, e isso demanda não só conhecimento da lei, mas também um profundo entendimento do desenvolvimento de negócios, inteligência emocional e a capacidade de se conectar com as pessoas e suas necessidades.

Muita coisa mudou em todos os setores devido à tecnologia, mas a prática e – pior – a educação jurídica ainda permanecem as mesmas.

Aprendemos da mesma forma até hoje: estudando o passado, na esperança de prever ou moldar o futuro, sem a busca por novas habilidades, enclausurados em nossos silos, que, na melhor das hipóteses, se abrem para a realidade vista de dentro da “caverna de Platão”.

Somos ensinados um pouco sobre Direito Penal, algumas horas de contratos, um pouco sobre responsabilidade civil, uma pitada de Direito de outros assuntos, e muitos fundamentos sobre como os casos vivem dentro do sistema judicial.

Não está claro o que será o dia de amanhã, mas é certo que a advocacia como a conhecemos está desaparecendo. Competirá com outros fornecedores de serviços? Será apoiada pela eficiência dos computadores ou reduzida?

Só o futuro dirá. Mas, seguindo a ordem dos clichês: o melhor jeito de prever o futuro, é construindo – e o melhor jeito de começar é fazendo perguntas!

O que irá mudar e o que será deixado para trás?

A tecnologia deu ao mundo o poder da transferência de conhecimento instantâneo, mas não aprimorou o aspecto experimental do aprendizado, e não mudou fundamentalmente a forma como aprendemos o Direito.

Como os recursos da vida on-line podem ser aplicados no ambiente e nos objetivos da sala de aula?

O mundo segue uma tendência de abertura da educação, comum em diversos contextos. É possível pensar um modelo aberto de aprendizado para o Direito?

Como podemos desenvolver e manter recursos educacionais abertos, promovendo uma educação baseada em controle, acessibilidade e melhorias?

Questiona-se frequentemente como os recém-formados terão a experiência necessária sem passar pelas etapas comuns do aprendizado da vida prática.

As novas habilidades emocionais e tecnológicas serão vantagens e diferenciações para que os jovens progridam na carreira, superando uma experiência dificilmente alcançável.

Precisamos preparar a próxima geração de advogados para serem mais flexíveis, colaborativos, com conhecimento tecnológico e habilidades comerciais, negociais e híbridos. Ou seja, capazes de transcender as fronteiras do Direito.

Pensar e trabalhar de forma interdisciplinar será chave para um aprendizado baseado em projetos e troca de experiências, o que não enxergamos nos currículos rígidos e tradicionais dos cursos da atualidade. Pensando nisso, cada escola precisa ser um ponto de inovação.

Pelas incertezas do momento, tudo será experimentação, e para isso é preciso coragem, desapego e objetivos claros. A capacidade de entender para onde o mundo está indo requer, antes de tudo, questionamentos.

O que podemos perguntar hoje, para desenhar as respostas de amanhã?

Victor Scarpa de Albuquerque Maranhão é cofundador da legaltech JurisIntel. Cofundador no Brasil do Legal Hackers e co-organizador do capítulo de São Paulo. Coordenador do Grupo de Extensão “Quinta Jurídica i9”, da Justiça Federal do RN. Especialista em Direito Empresarial pela Escola de Direito de São Paulo da Fundação Getulio Vargas.

[1] Tradução: “Em suma, os softwares estão ‘comendo’ o mundo”.

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