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Representatividade feminina cresce na advocacia
Há mais de 120 anos, na direção oposta da falsa ideia de que a advocacia era privilégio dos homens, Myrthes Gomes de Campos enfrentou o preconceito e se tornou pioneira na luta pelos direitos femininos ao exercício da advocacia e ao voto, além de defender a emancipação jurídica da mulher.
Obstinada, Myrthes surpreendeu a muitos e escandalizou uma geração ao ser designada a defender um homem acusado de agredir outro a golpes de navalha no Rio de Janeiro. Sua bravura em vestir a beca atraiu centenas de pessoas ao Tribunal do Júri. Todos desejavam ver de perto o que a advogada tinha a dizer.
Foi nesse contexto que se deu o ingresso feminino na advocacia. E, apesar de perdurarem desigualdades de reconhecimento e de remuneração, a presença feminina cresce a cada dia no mercado de trabalho, especialmente no universo jurídico.
AASP
Georgette Nacarato Nazo foi a primeira conselheira da AASP. Ela exerceu seu mandato de 1967 a 1969, época em que as mulheres representavam cerca de 17% da advocacia. Na década seguinte, Maria Eugênia Raposo da Silva Telles representou as mulheres no Conselho da Associação. Quando encerrou seu mandato, em 1983, as advogadas já representavam aproximadamente 37% da classe.
Ao longo do tempo, a representatividade feminina ganhou espaço tanto na advocacia quanto na AASP, dinâmica que evidencia a conexão da instituição com a vanguarda da profissão e o mercado de trabalho. E a eleição de Viviane Girardi, primeira mulher presidente da Associação nos 78 anos da entidade, consolida esse avanço social.
“Recentemente conseguimos alcançar certa paridade para as mulheres, ainda não plena, no entanto. Sentimos a necessidade de proporcionar mais representatividade às associadas. Essa é uma conquista muito grande: trata-se de uma construção ao longo dos últimos anos”, afirmou Girardi em entrevista para a Folha S.Paulo pouco tempo depois de assumir a gestão.
A advogada chegou ao comando da instituição no mesmo tempo de outro acontecimento inédito: foi a primeira vez que o Conselho Diretor da associação, com cerca de 80 mil filiados, teve paridade de gênero entre seus membros (11 homens e 10 mulheres).
Cenário nacional
Atualmente o número de advogadas já é maior que o de advogados no Brasil. Os dados constam do quadro da advocacia mantido pelo Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
Na última atualização, o número de advogadas era de 623.410 e o de advogados, de 615.600. Segundo a própria Ordem, 2021 foi o primeiro ano na história em que as mulheres representam a maioria dos profissionais da advocacia brasileira.
A marca histórica foi alcançada em pouco menos de um ano após a aprovação da proposta de paridade de gênero nas eleições da OAB. Nesse mesmo caminho, cinco seccionais passam a ser presididas por mulheres no triênio 2022-2024.
As advogadas Patricia Vanzolini, Claudia da Silva Prudêncio, Marilena Indira Winter e Daniela Borges venceram o pleito deste ano em São Paulo, Santa Catarina, Paraná e Bahia, respectivamente, e serão as primeiras mulheres presidentes da Ordem em seus Estados. A delas se soma a eleição de Gisela Cardoso, no Mato Grosso, segunda presidente mulher na seccional.
“São nítidos os avanços conquistados na advocacia, cujos reflexos puderam ser sentidos na eleição deste ano na OAB, não apenas com as chapas vitoriosas e com o maior número de assentos ocupados por advogadas no Conselho Federal da OAB, mas também com a expressiva votação de outras mulheres em diversos Estados”, destaca Viviane Girardi.
Fonte: Núcleo de Comunicação AASP | Conselho Federal da OAB | Revista Consultor Jurídico