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Lars Grael fala sobre Direito Desportivo para a AASP

Entrevista com o presidente do Conselho Nacional de Atletas Lars Grael fala sobre Lei Geral do Esporte Brasileiro, contratos de trabalho e bolsa atleta.

O Direito Desportivo já é uma realidade para muitos profissionais e seu grande desafio é a constante evolução, que passa obrigatoriamente pelo amplo debate na prática e teoria de relevantes temas presentes nos cenários esportivo e econômico do Brasil.

O aprofundamento nas discussões parece ser a solução para alavancar tudo o que envolve o segmento no país, sempre muito dinâmico. À medida que o estudo avança, surgem situações de mudança, o que parece ser o cenário atual, com movimentos intensos das casas legislativas neste sentido, a exemplo da Comissão Nacional de Atletas (CNA), recentemente reativada pelo então ministro do Esporte, George Hilton, no dia 29 de abril de 2015.

Lars Grael participa de evento com autoridades do Direito Desportivo

 

Visando justamente à aproximação da classe junto ao governo federal, o ministério esportivo, na época com Carlos Melles, criou a Portaria n, 127 de 17 de outubro de 2000, que reuniu grandes atletas e paratletas de destaque internacional, nomeados publicamente com a responsabilidade de encaminharem propostas objetivas que resgatem o alto nível esportivo do país e de seu desenvolvimento de base.

O medalhista olímpico, presidente da CNA e superintendente técnico da Confederação Brasileira de Clubes, Lars Grael, esteve presente na Associação dos Advogados de São Paulo e contou um pouco do trabalho realizado pela Comissão, entre outros assuntos que repercutem no mundo desportivo.

Acompanhe:

Comissão Nacional

A Comissão Nacional de Atletas nasceu de uma reivindicação daqueles que são protagonistas do esporte e que não se sentiam representados pelo sistema vigente, ou seja, clubes, federações, confederações e comitês. Estes profissionais queriam uma voz para que pudessem levar reivindicações ao governo federal e participar do processo decisório, que é democrático. Criou-se então a Comissão Nacional de Atletas no ano 2000, tendo como primeiro presidente o saudoso bicampeão olímpico Ademar Ferreira da Silva. Desta Comissão surgiu a ideia da criação da Lei de Importação de Material Olímpico/ Paraolímpico sem similar técnico nacional, com isenção de impostos. Esta foi a primeira conquista. Desta lei surgiu a concepção do programa Bolsa Atleta e começou a luta, de onde veio a chama inicial da Lei de Incentivo ao Esporte. Ela esteve ativa entre 2000 e 2006, depois ficou adormecida durante um período, voltando em 2015, interagindo com a organização não governamental Atletas pelo Brasil, esta independente do Ministério do Esporte. Vários de seus componentes são membros de ambas as entidades e conseguiram impactar o Congresso Nacional, alterando a Lei Pelé, colocando dispositivos que limitam mandatos dos dirigentes desportivos e exigindo a representação dos atletas. Então eu acho que o papel da Comissão é este, democratizar o sistema. A hora que todas as confederações tiverem mecanismos de representação dos atletas, talvez a Comissão perca o motivo de sua existência.

Anteprojeto Lei Geral do Esporte Brasileiro

Ela é promissora no sentido de que tenta reordenar a legislação esportiva brasileira, que é uma verdadeira colcha de retalhos, definindo responsabilidades, criando um fundo nacional do esporte e veiculando receitas. Neste aspecto eu acho que é positiva. Houve um debate com a sociedade, existe uma iniciativa semelhante na Câmara e no âmbito do Ministério do Esporte, no Conselho Nacional do Esporte, e tem que haver esta convergência, apenas com a preocupação de que ela não seja contaminada pela receita prevista no projeto que pede a recriação dos jogos de azar.

Contratos especiais de trabalho obrigatório

Fica claro que o atleta profissional não se restringe apenas à modalidade do futebol, mas a todos aqueles que têm um contrato de trabalho, mas eu acho também importante definir, uma vez que a lei trata muito do atleta profissional. O atleta amador, não profissional, de igual importância, seja no caráter do esporte, no âmbito participativo, lúdico, do lazer, da inclusão social, mas até mesmo no esporte olímpico e paraolímpico, em sua ampla maioria, continua amador e nós precisamos de mecanismos de proteção aos direitos deste cidadão.

A Bolsa Atleta

A Bolsa Atleta está em vários níveis. Ela está em um nível de formação, em nível nacional e temos até a Bolsa Pódio, para quem já atingiu o pódio olímpico e paraolímpico. Ela não resolve, pois eu acho que você tem que ter um trabalho claro e definido de formação de atletas, papel hoje específico dos clubes, das organizações não governamentais, das academias, das forças armadas, ou seja, o trabalho de formação é fundamental à democratização do esporte. A Bolsa Atleta é um mecanismo de fomento e de custeio que não pode ser visto como salário, como um ato compensatório, mas como uma ajuda de custo de apoio ao treinamento e preparação do atleta.

Diálogo com as Forças Armadas e Ministério do Esporte

A Comissão Desportiva Militar do Brasil (CDMB) teve um trabalho destacado nesta última década desde a criação do programa Forças no Esporte em 2002, que atuou na vertente social, permitindo que as instalações desportivas militares fossem abertas para a população, para os jovens da rede pública de ensino, para a prática do esporte como meio de inclusão social. Mas as Forças Armadas também criaram um programa de apoio para atletas de alto rendimento que não só tem a previsibilidade de receita de um apoio das Forças Armadas, como tem todo um apoio na parte de treinamento, médico-hospitalar, de garantias, de seguros e, mais do que isso, uma noção do aspecto ético, cível e moral importante para a sociedade brasileira. Estes atletas que recebem esta injeção de valores demonstraram até um crescimento em resultados a partir de um momento de disciplina, de responsabilidade e de uma organização de uma campanha esportiva, de planejamento e metas.

Fonte: Núcleo de Comunicação da AASP

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